Inclusão e sustentabilidade: Câmara de Gurupi participa de audiência com catadores
Última atualização em 28 agosto 2025 às 16h50

Adriana Castelo Branco/Ascom Câmara de Gurupi
Na manhã desta quinta-feira (28), a Câmara Municipal de Gurupi participou de uma audiência pública realizada no Centro Cultural Mauro Cunha, que reuniu parlamentares, autoridades e catadores de resíduos e materiais recicláveis. O encontro teve como objetivo promover um espaço democrático de diálogo para o fortalecimento da cidadania, a inclusão social e a sustentabilidade ambiental e econômica do município.
O evento foi promovido pelo Ministério Público, em parceria com órgãos do poder público municipal, e fez parte do projeto nacional do Ministério Público do Trabalho (MPT) voltado à inclusão socioprodutiva de catadores, com foco sobre fechamento de lixões e na implantação de aterros sanitários.
Segundo a procuradora Dalliana Vilar Pereira, coordenadora regional da Coordenadoria de Promoção da Regularidade do Trabalho e presidente da audiência, o debate buscou levantar questionamentos e propostas: “Não podemos fechar os lixões sem garantir a inclusão dos catadores. Este é um dia de muito mais perguntas do que respostas, mas que abre caminhos para soluções futuras”, destacou.
Também marcaram presença de forma online o juiz do Trabalho e gestor regional do Programa Trabalho Seguro, Dr. João Otávio Fidanza Frota; o representante do Cerest – Centro de Referência em Saúde do Trabalhador, Evesson Farias; a representante da Cooperativa Recicle a Vida (DF), Mônica Licassali; e o advogado e pesquisador Dr. Isaías Diniz Nunes, além de diversas outras autoridades.
A prefeita Josi Nunes ressaltou a relevância da pauta: “É um tema fundamental para nossas vidas. Já contratamos uma cooperativa para atuar em Gurupi e estamos abertos ao diálogo para buscar soluções e avanços na área ambiental”, afirmou.
O presidente da Câmara, Ivanilson Marinho, defendeu a criação de políticas públicas estruturadas para a categoria: “A inclusão dos catadores não é um favor, é um direito. Eles já prestam um serviço essencial à cidade, reduzindo impactos ambientais e gerando economia ao poder público, mas ainda vivem em condições precárias. É preciso avançar em inclusão produtiva, prioridade de contratação das cooperativas, investimentos em infraestrutura e equipamentos, capacitação e campanhas de conscientização”, pontuou.
Entre as propostas apresentadas pela Câmara estão:
- Criação de um programa de inclusão produtiva em parceria com o Executivo;
- Prioridade na contratação de cooperativas para a coleta seletiva;
- Investimentos em infraestrutura, galpões, equipamentos e EPIs;
- Capacitação técnica e apoio organizacional;
- Campanhas de conscientização sobre separação de resíduos;
- Instituição de um fórum permanente para execução das políticas públicas de resíduos sólidos.
O vereador WalterCoelho reforçou que a audiência foi um momento de escuta e construção coletiva: “Precisamos de políticas públicas concretas para essa classe que garante sustento digno às suas famílias e contribui para a preservação do meio ambiente”, disse.
O vice-prefeito AdailtonFonseca também destacou a valorização dos trabalhadores: “O trabalho dos catadores tem um valor inestimável para a cidade. Precisamos melhorar essa relação e transformar a vida daqueles que cuidam do nosso ambiente”, afirmou.
Representando a categoria, o catador Adão Santos de Carvalho, com mais de 10 anos de experiência na reciclagem, reforçou a expectativa de que as discussões se convertam em benefícios e reconhecimento para os trabalhadores.
FOTOS: Lino Vargas /Secom